Entrevista com Micaela Valentim, cofundadora da nova organização apoiada pelo Confluentes   

O Confluentes tem o orgulho de apresentar sua mais nova organização apoiada, a Ame o Tucunduba. Ela se junta a outras cinco ONGs comprometidas com causas estratégicas e com alto potencial de promover mudanças – Agência Pública, CEERT, Coletivo Papo Reto, Olabi e Vetor Brasil – para receber os fundos arrecadados pelas doações de todos os confluentes.

Fundada em 2016 em Belém do Pará e formada por jovens mulheres de diversas áreas que compartilham a origem amazônida, a Ame o Tucunduba tem a missão de mudar as relações entre águas, pessoas e cidades para promover a garantia dos direitos socioambientais.

Entre os projetos desenvolvidos – que buscam sempre adotar metodologias baseadas na interdisciplinaridade e na visão integradora do ambiente – está a Expedição Tucunduba, uma vivência da nascente à foz do rio Tucunduba na qual o público jovem embarca numa jornada de aprendizado sobre saneamento básico e rios urbanos de maneira lúdica e participativa.

Nesta entrevista ao Confluentes, Micaela Valentim, oceanógrafa e uma das cofundadoras da Ame o Tucunduba, dá mais detalhes sobre a origem e a atuação dessa iniciativa tão importante.

 

Quando sua história confluiu para o Ame o Tucunduba?

Em 2016 a minha chave interna virou quando pela primeira vez reconheci que o canal que passava pelo meu bairro era na verdade um rio. Esse reconhecimento e o sentimento do fazer coletivo permitiu que a Ame o Tucunduba surgisse. O coletivo teve início a partir da vontade de jovens mulheres em protagonizar a mudança na cidade

 

Qual a importância e o significado do rio Tucunduba?

O Tucunduba é um rio urbano que faz parte da segunda maior bacia hidrográfica de Belém. Ele fica localizado na periferia da cidade e recorta cinco grandes bairros, impactando a vida de mais de 250 mil pessoas. Esse território passou por modificações urbanas, o que gerou a retificação do leito e a impermeabilização das margens do rio, resultando na degradação desse ecossistema. Mas o rio Tucunduba está presente na memória coletiva desse território. É um espaço que antes era usado para lazer, transporte e subsistência, mas hoje é considerado um esgoto a céu aberto. Então é importante permitir um novo olhar para esse rio, que, além de elemento dessa memória coletiva, faz parte de um sistema socioambiental prestador de serviços ecossistêmicos, servindo na regulação do clima e como fonte de abastecimento e lazer.

 

Uma das iniciativas do Ame o Tucunduba é o programa de multiplicadores Piracema. Como ele funciona?

O Piracema – Programa de Multiplicadores é destinado a jovens paraenses que procuram uma maneira ativa de transformar a realidade e são apaixonados por compartilhar conhecimento e ferramentas com outras pessoas. De maneira simplificada, é uma formação on-line e gratuita que tem o objetivo de compartilhar ferramentas de educação ambiental crítica e mobilização social para que jovens possam agir em suas comunidades e construir uma rede engajada e solidária na Amazônia paraense. Queremos instigar uma cidade pensada a partir de seus rios, onde as infraestruturas de saneamento básico e adaptações para mudanças climáticas sejam planejadas a partir de suas águas.

O programa, uma iniciativa da Ame o Tucunduba com apoio do Fundo Casa, surge a partir de um desejo de compartilhar aprendizados, ferramentas e experiências que o coletivo vivenciou nos últimos quatro anos e envolveram mais de 900 pessoas. Entendemos que, para termos um futuro saudável no qual nossos direitos socioambientais estejam garantidos – especialmente no Estado do Pará, o que mais desmata no país –, precisamos começar a construir alternativas agora.

 

Qual a importância da filantropia e, acima de tudo, da doação de pessoas físicas no Brasil?

A filantropia permite o apoio a milhares de projetos de responsabilidade social e ambiental. Em especial, a doação de pessoas físicas permite a aproximação do doador com o projeto, promovendo o fortalecimento institucional e a autonomia dos coletivos. E, em momentos de crise econômica, a filantropia pode ser decisiva para manter a sustentabilidade financeira, o impacto dos projetos sociais e sua continuidade

 

Para você, o que significa ser confluente?

Fazendo uma analogia com a dinâmica dos rios, confluência é a união de um ou mais cursos de água. Assim, ser confluente é saber que você nunca vai estar sozinho, que você sempre vai estar em conexão, fluindo com o coletivo, unido por um elo maior.

 

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