“Precisamos seguir apoiando organizações e iniciativas que inovam e incidem sobre as políticas públicas”

Há um ano aterrissava no Brasil um vírus que já tinha infectado parte do mundo, mas naquele momento ainda estava longe de mostrar todo o seu poder de devastação. Escutávamos assustados o número estarrecedor de mortes na Itália e assistíamos incrédulos aos depoimentos dos médicos na linha de frente sobre as decisões macabras que estavam tendo que tomar sobre quem receberia cuidados.

Sem compreender muito bem a dimensão da tragédia que se avizinhava, muitos suspeitavam das duras medidas isolamento social decretadas por alguns prefeitos e governadores. Talvez o medo do desconhecido para uns, a compreensão de que saúde vinha em primeiro lugar para outros ou mesmo o entendimento de que tais medidas não apenas nos protegeriam, mas era a fórmula para sobrevivermos à pandemia como sociedade, levou uma parte da sociedade a aderir as regras. Sabíamos que as medidas trariam enormes prejuízos econômicos e sociais, mas a vida é nosso bem mais precioso.

A pandemia escancarou as profundas desigualdades do Brasil. Lamentavelmente, a vida de muitos brasileiros está em risco todos os dias, independente da Covid-19. O vírus apenas adicionou um tempero sinistro à essa realidade que ecoou nos quatro cantos do país impulsionando uma enorme onda de solidariedade. Diferentes redes se formaram para arrecadar e doar recursos, alimentos e produtos de higiene que literalmente salvaram vidas.

Porém, dada a escala e gravidade do problema não bastavam essas redes. O poder público precisava agir. Com muita pressão da sociedade, o Congresso Nacional aprovou o auxílio emergencial. Porém, a falta de coordenação do Ministério da Saúde somada à insistência do governo federal em negar a gravidade da pandemia e desafiar as pessoas a se insurgirem contra as regras capazes de salvar vidas motivada pela antecipação da disputa eleitoral deu à 2020 contornos dramáticos.

As notícias de eficácia das diferentes vacinas nos deram esperança. Parecia que 2021 seria diferente e logo nossas vidas voltariam ao normal. A ilusão durou pouco. O ano começou com pessoas morrendo sufocadas em Manaus e o mês de março nos trouxe o momento mais grave da pandemia – a média móvel superou as 2 mil mortes diárias.

Esse cenário trágico apenas reafirma a importância do Confluentes, uma proposta de filantropia estratégica que precisa ser fortalecida no Brasil. Precisamos ter uma sociedade civil forte e atuante trabalhando todos os dias para termos um país mais justo e menos desigual. O nosso diferencial é que fortalecemos organizações que atuam em causas fundamentais para o Brasil, mas que costumam receber menos atenção e recursos.

Nesse primeiro ciclo, apoiamos o Ceert – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades que há 29 anos implementa programas de promoção à equidade racial e de gênero em instituições públicas e privadas; a Agência Pública, organização sem fins de jornalismo investigativo; o Papo Reto, coletivo de comunicação independente formado por jovens moradores do Complexos do Alemão e da Penha no Rio de Janeiro; o Olabi que busca a democratização das tecnologias; o Vetor Brasil que busca melhorar o setor público inovando na gestão de pessoas e; a Ame o Tucunduba que adota a educação socioambiental para conscientizar as pessoas e melhorar a gestão da água na Amazônia.

A pandemia vai passar, mas não levará consigo todos os problemas. Por isso, precisamos seguir apoiando organizações e iniciativas que inovam e incidem sobre as políticas públicas e também aquelas que denunciam e fiscalizam as ações governamentais. É isso que fazemos no Confluentes.

Melina Risso, doutora em Administração Pública e Governo, é conselheira do Confluentes. É coautora do livro Segurança pública para virar o jogo, diretora de projetos do Instituto Igarapé e cofundadora do Movimento Agora.

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