Estudo encomendado pela Luminate ouviu jovens entre 16 e 24 anos                             

Em ano de eleição presidencial, estatísticas divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o número de eleitores com idades entre 16 e 17 anos diminuiu de 2,3 milhões, em 2016, para pouco mais de 1 milhão na eleição mais recente, realizada em novembro de 2020.

Será que os jovens realmente não se interessam por política?

A nova pesquisa Jovens e Democracia na América Latina afirma que não é bem assim. Jovens vêm se informando, sim, sobre política, porém por meio de canais que consideram não politizados. Eles rejeitam a política tradicional e meios abertamente partidarizados, buscando a politização por meio de mídias alternativas – como influenciadores de maquiagem e estilo de vida no Instagram e YouTube, games on-line, canais de empreendedorismo, tiktokers, cantores gospel, gurus de investimento e rappers.

Essa é uma das conclusões do estudo encomendada pela Luminate, parceira do Confluentes, e realizada por Esther Solano, professora da Unifesp, e Camila Rocha, autora do livro Menos Marx, mais Mises: o liberalismo e a nova direita no Brasil, e realizada quatro países – Brasil, Argentina, Colômbia e México. Os resultados, obtidos a partir de 60 entrevistas em profundidade com jovens entre 16 e 24 anos, lançam luz sobre como as juventudes contemporâneas se envolvem e se relacionam com a política.

A principal forma de engajamento seria por meio de causas, como direitos LGBTQIA+, igualdade racial, defesa do meio ambiente, conservadorismo etc. – com as quais, muitas vezes, entram em contato por meio de influenciadores digitais. “Vários entrevistados confessam que começaram a ganhar consciência política ao ver comentários nas redes de pessoas que seguiam ou influenciadores de que gostavam, com os quais concordavam ou discordavam”, disse Solano em entrevista à jornalista Patrícia Campos Mello na Folha de S. Paulo

Para essa nova geração, o engajamento político acontece, por meio das mídias sociais, de maneira interconectada à socialização. “O mesmo jovem que segue o presidente Jair Bolsonaro ou o ex-presidente Lula falando de política também assiste a stories de empreendedores que, tangencial ou diretamente, se posicionam politicamente, ou segue um grupo musical que levanta uma bandeira antirracista ou um tiktoker que faz vídeo satírico ridicularizando a última polêmica política do dia”, completou.

Ainda assim, a imprensa tradicional, mesmo sendo enxergada como enviesada e pouco confiável por esse público, surge na pesquisa como um “porto seguro” diante da proliferação de fake news e desinformação.

Esses jovens têm também uma percepção bastante negativa dos partidos políticos, que, independentemente da ideologia, são percebidos como estruturas de poder e corrupção. Da mesma forma, eles rejeitam qualquer tentativa aberta de os influenciadores partidarizarem ou tentarem politizar o público. “Querem uma coisa mais sutil, que não pareça contaminada pelo partidarismo. A mensagem política acontece de forma incidental”, explicou a pesquisadora.

A pesquisa mostra ainda que os jovens, embora estejam informados sobre as principais polêmicas políticas do momento, admitem não entender o funcionamento da política institucional – como o processo de votação de uma lei, o cotidiano do Governo, o funcionamento do Estado ou mesmo os nomes dos presidentes da Câmara e do Senado. A maioria dos entrevistados também considera as manifestações políticas importantes para a saúde da democracia, ainda que nunca, ou muito raramente, tenham participado de uma.

Um dos grandes desafios de 2022 é, então, aproximar os jovens das urnas. Por onde começar? Como escreveu Januária Cristina Alves,  mestre em comunicação social pela ECA/USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo), em artigo no Nexo, “ouvir os jovens, compreender o que buscam na política, abrir espaço para sua participação efetiva nos partidos políticos, na vida pública da cidade, estado e país, pode ser um bom começo. Afinal, como já ficou comprovado, o que eles querem é simplesmente… participar.”

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